A NOVA DUPLA Após Richard Greyson assumir o manto de seu mentor, Damien Wayne se tornar o Robin e Tim Drake virar o Robin Vermelho, temos um novo cenário em Gotham city, uma nova dupla dinâmica. Bem, a dupla está em todas as histórias de Gotham, mas a principal história é escrita pelo homem responsável pela morte do Batman original: o escocês Grant Morrison.
Batman & Robin
Atualmente no nº16, a revista explora o novo dinamismo, afinal, cada personagem é muito diferente de qualquer time já formado em Gotham city. Temos Greyson muito inseguro, querendo preencher o vão deixado pelo mestre, se preocupando, errando, demonstrando suas inseguranças a cada momento: "Odeio essa capa, Alfred! É como andar de trapézio vestindo a lona do circo", algo nunca mostrado no Batman original, que era sempre tão seguro de si.
Já Damien traz uma veia cômica, suas constantes insubordinações, muitas vezes se colocando em situações de perigo desnecessário, provocando vilões, sempre sendo em algum momento repreendido pelo novo Batman.
Após o caos gerado pela falta do protetor da cidade, Gotham desceu numa espiral de crime e violência. O Arkham foi detonado e os prisioneiros mais perigosos fugiram, as gangues do Pinguim e do Duas Caras pintam as ruas de vermelho, o vilão Zsaz, sob a batuta do Máscara Negra (o cara que libertou todos do Arkham) continua seu ciclo de violência cada vez mais doentia.
O Robin Vermelho Após a suposta morte de Bruce, Tim Drake (o Robin da época) não aceita que Bruce Wayne está morto, criando divergências entre os herdeiros do morcego. Após brigar com todos os bat-tipos, que o chamam de teimoso e sem qualquer fundamento, Tim resolve procurar sozinho pelo seu mentor sob o manto do Robin Vermelho, viajando pelo mundo buscando provas de que o Batman original não morreu.
A Vida na Cidade Para manter a identidade secreta do Batman protegida, os heróis obrigam o antigo vilão Silêncio (que era amigo de infência de Bruce) que fez cirurgias para parecer exatamente como Bruce Wayne, a aparecer em público como o playboy, em troca, ele poderia usufruir de todo o seu império. O primeiro ato dele é começar a doar todo o dinheiro das companhias Wayne, detonando a fortuna de Bruce.
Batwoman, nos arcos escritos por Greg Rucka e desenhados por JH Williams III (ganhou um Eisner pela arte, merecido), a Batwoman até então desconhecida (sua primeira aparição é na saga 52) ainda busca a Bíblia do Crime, numa das histórias mais elogiadas dessa época pós-batman. (Altamente recomendado pelo autor).
Assim termina a trilogia de posts. Lá fora, o Batman ressucitou, mas não quero dar spoilers pra quem quiser ler através da cronologia nacional. Cheers, Fuckfaces
A MORTE DO MORCEGO Bem, o Batman morreu. Após a morte do morcego, Gotham City entrou em caos. Sem o grande símbolo da Justiça na cidade, a criminalidade corre solta. Além disso, os principais heróis remanescentes lutam para conseguirem lidar com o manto do mentor de muitos deles. Dick Greyson, Damien Wayne, Tim Drake, Barbara Gordon, todas essas pessoas se afetam diretamente pela morte do morcego. Nesse post não vou comentar um arco específico, mas o período que passou Gotham City e aqueles que tem o dever de protegê-la. Mas antes disso, dou uma pausa e falo do especial que Niel Gaiman escreveu sobre a morte do Batman:
O QUE ACONTECEU COM O CAVALEIRO DAS TREVAS? A série escrita em 2 volumes por Niel Gaiman não é uma história séria. É o funeral do Batman. temos aqui presentes o Coringa, o Pinguim, Duas Caras, Mulher-Gato, Alfred, enfim, todos que participaram da trajetória do Morcego até aqui. A história, que fecha todo o arco de traumas psicológicos severos e a morte de Wayne, é uma grande homenagem feita pelo escritor inglês, à todas as épocas de histórias, todos os personagens e, acima de tudo, aos fãs que acompanharam as histórias do homem vestido de morcego. Bem, a história merece ser lida e comentá-la só diminuirá sua importância.
CAOS Após os eventos da Crise Final, o mundo estava em ruínas. A vida criminosa de Gotham decidiu se aproveitar disso, Duas Caras e Pinguim se aproveitam e extendem seus braços sobre o que sobrou do lugar, lutas de gangues, tiroteios, o crime anda solto em Gotham. A cidade perdeu seu maior símbolo, uma das principais imagens disso é o comissário Gordon no telhado, com o sinal ligado, que diz "acho que ele não vem", como se caísse em desespero, mostrando a falta que um homem vestido de morcego faz nessa cidade.
PUPILOS Richard Greyson tem que deixar Nova York e voltar para sua cidade natal, para ajudar no combate ao crime. Barbara Gordon tem que juntar os poucos que se propoem a combater crime. Tim Drake cumpre seu papel de Robin. Essas são as principais linhas que levam esses personagens através desse período difícil. Dick tem que lutar com a expectativa de todos de que ele assuma o manto do Batman (em Batalha pelo Manto e Eulogia para o herói), Barbara mantém a tênue linha entre o heroísmo e a loucura entre os defensores da cidade (em A Rede) e Tim se recusa a aceitar a morte de Bruce (em Red Robin). Além disso, alguns personagens ganham mais destaque, como a Batwoman (que vinha ganhando importância des de os arcos de A Bíblia do Crime), Batgirl, os Renegados, entre outros.
BATALHA PELO MANTO Após o surgimento de um novo vigilante que se diz ser o novo Batman, ao mesmo tempo em que um louco libera um ônibus de criminosos do Asilo Arkham (que puta novidade ¬¬), é a hora da decisão, é a hora de alguém assumir o manto. É aqui que começa o conflito entre os principais heróis: Dick não sente que tem a responsabilidade, Tim não quer um novo Batman, Alfred diz que ele é necessário, Damien diz que ele deve matar gente. Após os eventos do arco Batalha pelo Manto, Richard Greyson assume o manto do Batman, e toma como seu Robin o indisciplinado Damien Wayne. Surge assim a nova dupla dinâmica.
Bem, no próximo post eu termino essa história toda de "Nova Dupla Dinâmica", sabe-se lá quando...
Olá Decidi escrever sobre a ótima fase pela qual vem passando o Batman atualmente, vou tentar fazê-lo em 3 partes (A morte do Batmam - Eulogia - A Nova Dupla Dinâmica), então, boa leitura.
A MORTE DO BATMAN (contém spoilers, é claro)
A Estrada Em 2006 o escocês Grant Morrison foi incumbido da tarefa de escrever a revista do Batman, a DC havia colocado seu personagem mais rentável na mão de um dos escritores mais polêmicos da atualidade, que na mesma época escrevia a maxi-série "52" junto com Mark Waid, Greg Rucka e Geoff Johns. Logo de início, temos o arco "Batman e filho", onde o autor trouxe de volta um personagem apagado da cronologia do morcego, o seu filho de 10 anos, Damian Wayne, que mudaria todo o rumo do personagem. Durante sua passagem pela revista, Morrison fez questão de que o personagem passasse por provações inumanas, coisas que o afetariam profundamente , como a ressureição de Ra's Al Ghul (o único vilão que conheçe a identidade do Batman, e avô de Damian Wayne), a morte de Joe Chill, resumidamente, uma grande preparação à derradeira história do Batman: Batman RIP, de 2008. Em Batman RIP Morrison mostra um Batman cansado, física e mentalmente. A forma de contar essa história é extremamente teatral, como se o autor fosse o mestre de cerimônias do último ato do herói. Ele o coloca contra o maior inimigo do homem-morcego, o psicólogo William Hurt, que plantou uma semente na mente de Wayne anos atrás, num momento de fraqueza, algo que destruiria a mente do cruzado negro, uma palavra-gatilho que, se lida ou ouvida, levaria o morcego à ruína mental, o Zur-en-arrh.
"O Batman se prepara para tudo" Após vagar as ruas de Gotham como um mendigo, percebemos como o Batman é grandioso. Mesmo inconscientemente, o Batman já tinha se preparado para um ataque à sua mente, ele criou uma personalidade nova, o Batman de Zur-en-Arrh.
(mais louco que o Batman, só o Batman)
O responsável por tudo isso é o Luva Negra (um clube de ricaços de William Hurt), que orquestrou essa vingança para que pudesse matar o Batman e tudo que ele representa, levando a cidade de Gotham ao caos, à morte de seu mais precioso símbolo. Durante o confronto com William, após fugir de uma camisa de força, dentro de um caixão a sete palmos de terra ("... tudo isso é fácil, agora, fugir de 30 quilos de terra, que entra em seus pulmões e não te deixam respirar é mais difícil. Mas longe de impossível"), após perseguir o Dr. Hurt, ele revela que no passado usou a identidade de Thomas Wayne, o Luva Negra é o PAI DE BRUCE WAYNE. Após isso, os dois sofrem uma queda de helicóptero e o Homem-Morcego nunca mais é visto em Gotham City.
Sanção Ômega Após os eventos de Batman RIP, o Batman atende a uma crise multi-universal junto à Liga da Justiça, a Crise Final (série também escrita por Grant Morrison), que também saiu em 2008. Lá pelo volume 2, Batman é capturado pelos seguidores de Darkseid (posso falar dessa crise mais tarde), que tentam fazer supersoldados baseados na constituição mental do Batman, mesmo drogado e preso, o Batman trava uma batalha dentro de sua mente e consegue escapar, encontrando o próprio Darkseid (a encarnação de todo o Mal, o Diabo pra quem não conhece hehe) e, num dos momentos mais épicos das últimas décadas, o Cavaleiro das Trevas ATIRA em Darkseid, com a bala que o próprio usou para matar um Deus no começo da série e, ao mesmo tempo, é atingido pela sanção ômega, que transporta a alma da vítima a outras realidades de tormento, matando o Batman nessa realidade.
E assim termina a parte I. Semana que vem eu falo sobre o que aconteceu com o mundo na ausência de um Batman.
Preacher (1995/2000, Vertigo) - 66 volumes, 6 especiais Garth Ennis (roteiro) Steve Dillon (arte) e Glenn Fabry (capas).
Bem, esse hq conta a história de um pastor (preacher, dãaa). Seu nome é Jesse Custer, um pastor de uma cidadezinha no Texas, Annville, ele está farto da vida clerical e, durante um sermão, ele é pussuído por uma entidade que fugiu do céu, matando a todos dentro da igreja. A entidade é Gênesis, o filho de um anjo com um demônio que foi aprisionado pelos anjos por ser considerada tão poderosa quanto o próprio Deus. A possessão por Gênesis dá a Jesse o poder d'A Palavra, isso é, ele pode comandar qualquer pessoa (humana ou não) a fazer qualquer coisa que ele mandar, des de que a pessoa entenda o que foi dito. Após a explosão da igreja, Jesse é encontrado por Tulipa, sua ex namorada, que está viajando com o carismático Cassidy, um vampiro Irlandês de mais de 100 anos. Após se confrontarem com o Santo dos Assassinos (enviado pelos anjos atrás de Gênesis) e a polícia do Texas, Custer, acompanhado por Tulipa (que se junta a ele por que ele deve uma explicação por que ele a deixou 3 anos atrás) e Cassidy (pelo qual Custer desenvolve uma grande amizade), o grupo descobre que Deus abandonou a sua criação e fugiu do céu, Jesse quer encontrá-lo e faze-lo explicar essa merda toda.
Bem, a premissa soa um pouco religiosa. Bem, eu garanto que religiao passa longe da saga. O conto é uma história violenta, recheada de sexo e humor negro (na maioria, tiradas de Cassidy e Starr, o vilão). A história se passa nos EUA (e um arco na França), o grupo procura Deus em NY, Nova Orleans, Texas, Novo México, etc, e um dos intuitos é mostrar essa América que Deus esqueceu, através dos olhos de um pastor que vê essa sujeirada e busca uma das únicas maneiras de consertar o mundo, não com bondade, mas dando uns bons tapas no próprio Deus, para que ele explique toda a maldade que há nesse mundo e, acreditem, a resposta é incrível.
Preacher vai te fazer sentir feliz, vai te fazer sentir triste, o roteiro é um dos melhores, o inglês Garth Ennis (de "A Pro") escreve os diálogos com perfeição, ele mostra essas pessoas extremamente danificadas, ele aprofunda os personagens ao máximo, ele não poupa ninguém. A história se desenvolve com naturalidade, somos apresentados a personagens cada vez mais incomuns, como Jesus de Sade, um mestre das festas babilônicas, das drogas e sexo, ou Herr Star, chefe de uma organização secreta que busca agregar Jesse e seu poder à sua causa.
Passamos por momentos ótimos (como o relacionamento de Jesse e Tulipa) e péssimos (quando descobrimos quem Cassidy realmente é) e, quando a série se encaminha para o final épico, as reviravoltas não páram de acontecer, não existe nenhum momento decepcionante ou frustrante em Preacher, tudo é bem aproveitado.
Recomendo: pra quem quer sair da mesmice dos super-heróis Não recomendo: pra puristas de qualquer laia.
Bem, como não posso postar nenhum trailer aqui, vou tentar colocar as 1ªs 10 páginas para visualização no browser, esperem atualizações. (ATUALIZAÇÃO: vou upas as 9 primeiras páginas e o momento da possessão do reverendo, é só clicarem nas imagens pequenas pra abrir as grandes, divirtam-se)
Você ja imaginou como a Branca de Neve se comportaria no nosso mundo? Pois é, nem eu... Mas Bill Willingham pelo visto já, e tem uma imaginação bem fértil!
No mundo de fábulas, as mesmas são obrigadas a sair de suas terras natais e virem para nosso mundo pois o "adversário" resolveu tomar todas as terras das pobres fábulas, e elas chegam em NY, para tocar a vida delas para frente, longe do Adversário.
Logo no começo da história ja vemos um probleminha na relação entre a Bela e o Fera, com a Branca de Neve como mediadora, ao longo da HQ, vemos Branca de Neve, Cinderella e a Bela Adormecida se reunirem para falar mal do Princípe Encantado, o que aconteceu com o Sapo Príncipe, a Cinderella como uma espiã matadora...
Longe da cidade, mas ainda no mundo "mundano", como eles chamam o nosso mundo, existe a Fazenda, para as fábulas que não ficam em forma humana, como os três porquinhos, os irmãos gigantes, um dragão...
Aqui segue minha opinião em numeros de cada aspecto da HQ...
Começarei pela arte... A arte em si, ao longo da HQ não muda muito, mas é bem significativo, e em um pequeno intervalo de tempo, isso não me agradou muito, poruqe em alguns volumes fico me adequando à pincelada, e quando muda, acabo estranahndo. Mas isso muda no especial 1001 Noites, que no começo o autor explica que ele escolheu os melhores desenhistas do mercado para fazer o especial, então ja fica avisado que a arte mudara, e é uma mudança drástica, desde desenhos semi-infantis para a arte impecável de James Jean, o capista.
Aqui é a "evolução" do traço... (clique na imagem pra poder visualizar melhor, aqui fica uma merd@)
Aqui segue algumas capas do mestre das capas, logo em seguida vem meu amado Alex Ross que eu posto umas capas do Ross tmb como um plus do post...
Bom, aqui é a Cinderella, sangue nos olhos...
O Pinoccio e seus soldadinhos de madeira feito pelo seu pai, o Gepetto... O legal do Pinoccio é que ele sempre esta emburrado, porque ele fala que a fada azul entendeu seu pedido de "quero ser um garoto de verdade" muito literal e ficou preso como um garoto para sempre, e ele busca a fada azul para sua vingança, segundo ele ele quer ter mulheres, cigarro e bebidas... Ele ficou um jovem rebelde pra sempre...
Essa capa só mostra uma "mulher" e um soldado, de madeira.Essa capa é a do especial 1001 Noites, mostra a Branca de Neve no centro, o Bigby, Lobo Mal atrás, e 2 dos 7 anões em baixo.
Bom, seguindo as notas... Roteiro PERFEITO, o cara consegue entrelaçar todos nossos contos de infância numa trama extremamente adulta, leve, divertida, e legal... com certeza é o ponto mais forte da HQ
O acabamento é uma coisa peculiar, nas versões americanas, o acabamento é bem ok, num cheira nem fede... tem um ou outro extra no final, tipo, galeria de capas, ou o roteiro de um número único... e as versões Tupiniquim, contam com isso, e ainda um papel especial...
Bom, Fim do post, espero ter estimulado a sua leitura por esse HQ maravilhoso :] Agora o plus de capas do Ross... Capa de Marvels.
Após muita discussão, nós, Fernando e Henrique, chegamos a um consenso: indicar 10 HQ's que todos deveriam ler. Temos aqui em lista muita coisa que passa desapercebida na maioria das listas, mas, gosto é gosto, e essas são a que nós indicamos, comentadas por nós dois (lembrando que não estão em ordem, mas sim pelas que nós lembramos primeiro...):
01- Guerra Civil (2006/2007) Mark Millar e Steve McNiven:
Depois de uma perseguição desnecessária e perigosa para um reality show de heróis, Nitro,um dos vilões em perseguição explode uma cidade inteira, fazendo com que a população culpe os heróis. Até que surge uma lei para que todos os sobre-humanos se registrem para o governo ter um pouco de controle sobre suas ações, claro que essa decisão toma 2 lados, alguns são a favor, outros contra. O Homem de Ferro toma parte de ser a favor e o queridinho da América (da Marvel) contra.
Comentário - Fernando:
O roteiro sempre impecável de Mark Millar é o atrativo principal da guerra civil. Temos aqui momentos épicos, como a revelação do homem-aranha (levando diretamente ao arco “Uniforme Negro”).
Comentário – Henrique:
Muitas brigas, muita porrada, muita lição de moral, altamente recomendável. Meu irmão me apresentou Mark Millar como MARK MILLAR, antes era só o um roteirista, mas depois de ler Guerra Civil, Caído entre os Mortos, Supremos, Supremos 2, Red Son, Kick Ass, e o Velho Logan, com certeza você irá se apaixonar por ele, é um roteiro muito elaborado, muitas vezes elaborado demais, mas ainda assim, mas ainda assim, eu não me canso dele.
02- Watchmen (1986/1987 ) Alan Moore e Dave Gibbons:
O assassinato de um herói mascarado é investigado pelo vigilante Rorschach, numa sociedade que não tolera o “vigilantismo” e Nixon foi eleito trocentas vezes. A investigação leva Rorschach a crer que alguém está perseguindo os heróis aposentados.
Watchmen é talvez a mais aclamada série de quadrinhos até hoje, talvez seja pelas suas inovações, seja na arte, muito diferente das normais nos anos 80, ou pelo roteiro, com um palavreado e conversações pesados. Mas acho que sobre tudo é a abordagem com o leitor, por mais que não pareça, é mais uma HQ policial. Os vigilantes na verdade não tem nenhum poder, a não ser Jhon, que vira um Deus (mas não combate o crime). Os heróis deixam de ser heróis num simples estalar de dedos, e vivem suas vidas normalmente. Até, bem, começarem a matar os ex-mascarados.
03 – Cavaleiro das Trevas (1987) Frank Miller (Roteiro e Desenhos)
Frank Miller nos mostra aqui um Batman aposentado, Bruce Wayne isolado em sua mansão (e Alfred parece ser imortal), o Coringa está catatônico no asilo arkham, tudo parece bem. De repente, temos a volta do Duas-Caras, e logo, do vigilante mascarado favorito de Gotham City, e do seu vilão. Frank Miller explora o cansaço do herói, as duas forças destinadas a lutarem.
Comentário – Fernando:
Talvez a melhor história de Frank Miller, o herói está velho, a cidade se acostumou à ausência do Morcegão (até se esqueceu dele), todos parecem ter superado o trauma. A volta dele só demonstra como esse tipo de coisa é ao mesmo tempo necessária e nociva. E outra coisa interessante, Miller retrata o Super-Homem como um reacionário, uma arma poítica dos EUA. Genial.
Comentário – Henrique:
Talvez melhor até que qualquer Sin City, Frank Miller se supera em um roteiro genial, mostrando sempre, os dois lados da moeda, ou os 2 lados da face... Mostra o como o Batman sempre vai ter o que ele quer, dos seus meios, e como o coringa sempre vai ser a pedra no sapato do Batman, e como o Super-Man sempre vai ser o “Policial nº 1 da América” ( ou, pau mandado).
04 – All Star Superman (2005/2008) Grant Morrison e Frank Quiterly.
A série All-Star tem uma premissa simples: pegar um autor fodão e dizer “Vai, faz o que tu quiser”, abrindo espaço para uma história completamente nova e fora da cronologia oficial do personagem. É o que Grant Morrison fez, elevou a mitologia do Super-Homem a um nível novo, criou uma história divertida e bem amarrada. Ao tentar salvar a primeira missão tripulada ao Sol, o Homem de Aço é atingido por raios solares nocivos, criando um tipo de super-cancer.
Comentário – Fernando:
Adoro a mitologia que Morrison colocou aqui, ele conseguiu fazer do mito do último filho de Krypton uma história sempre divertida, que prende o leitor. Um detalhe interessante é que ele criou alguns conceitos e expandiu os existentes, como a fortaleza da solidão, ou até mesmo o planeta-bizarro. Destaque para a história da Lois Lane com super-poderes, é romântico e vital à série.
Comentário – Henrique:
All Star, a ascensão de Grant Morrison? Ou a Obra prima dele? Não sei, quando eu ler tudo dele eu dou minha opinião, enfim, é uma história muito boa, impossível querer ler só um volume em um dia, mostra uma das kriptonitas novas, a preta, se eu não me engano... São 12 grandes feitos pelo nosso queridinho da América ( agora, da DC). Para fechar com chave de ouro, uma batalha épica no mínimo.
05 – V de Vingança (1982/1989 ) Alan Moore e David Lloyd
Depois de uma tomada de poder e uma implantação de um regime totalmente ditatorial, que chega até a vigiar as pessoas. Depois de um tempo, é claro que começam a querer derrubar o poder, é aí que surge o “V”, porta voz da anarquia. Então é destruindo marcos ingleses que V mostra o quão frágil o governo é e assim, consegue “chamar” mais pessoas para sua luta.
Comentário – Fernando:
Esqueça o filme, o HQ mostra de uma maneira muito mais densa o que o filme tentou passar. A força do Estado está nas pessoas ou nos governantes, na polícia? Habilmente, Alan Moore dá a resposta através da história do terrorista V, da ingênua Evey Hammond, e de um número enorme de histórias paralelas.
Comentário – Henrique:
É uma HQ genial, mostra o quanto o estado influi na sua vida, mesmo que você não ligue ou não goste, mostra a alienação do povo não só com o governo, e o que cada um é capaz para defender seus ideais. Vale a pena morrer pelo que você pensa? FIKDÚVIDA...
Esse é o fim da 1ª parte. Algum dia a gente posta o resto.
Depois de ler o último post, fiquei empolgado. Vou falar hoje da maior das graphic novels já escritas, a obra-prima suprema de Alan Moore, que virou filme pouco tempo atrás, Watchmen.
A idéia de Watchmen surgiu de uma pergunta bem simples, feita, talvez, pelo autor quando lia as revistas do Superman e suas paródias nas revistas MAD, como seria o mundo se existissem super-heróis de verdade? Como a raça humana se comportaria perante aos heróis? Quais seriam as consequências disso? Moore destruiu a idéia clássica dos quadrinhos, onde deuses poderiam andar por entre os humanos e em nada afetar a vida humana radicalmente, e essa é a premissa da obra, a simples existência de uma criatura tão poderosa afetaria radicalmente a vida humana, seja no viés político, filosófico, toda a vida humana seria muito diferente se existisse um super-homem entre nós.
A história começa nos anos 80, um mundo onde uma lei proíbe o vigilantismo, Nixon foi reeleito mais vezes do que o país aguentaria, a guerra fria tornou as pessoas paranóicas (grandes manchetes: GUERRA?). E dentro desse novo mundo apresentado, está o vigilante mascarado Rorschach, que investiga a morte de um homem que foi jogado do topo de seu prédio. A investigação leva a descobrir que o homem era o famoso Comediante, um vigilante atuante há mais de 50 anos, nascido na 1ª geração de heróis. Isso leva o anti-herói a tentar avisar os antigos heróis, temos um rechonchudo Coruja Noturna II e o aposentado Coruja Noturna I, o atual megaempresário Ozymandias, e o Semi-deus Dr. Manhattan, que atualmente mora com Espectral. Em cada encontro, vemos como o roteiro é perfeito, Moore, ao contar a origem de cada herói, dá uma profundidade incrível a cada personagem, contando as ações de cada herói perante às responsabilidades para com a humanidade. Destaca-se uma cena onde os dois principais vigilantes (que trabalhavam para o governo, sim, o governo contratou os heróis) estão na guerra do vietnã, a presença do onipotente Dr. Manhatan e do militarismo do comediante fez os EUA ganharem a guerra.
Ao contar a história dos vigilantes em flashbacks, Moore dá a impressão exata de como cada ação passada, seja do 1º grupo de super-heróis, ou do 2º grupo, influencia tanto no presente e na situação atual de tensão nuclear constante. Temos aqui uma guerra fria intensificada, a fobia americana é imensa. O inglês explora cada aspecto da vida dos vigilantes, temos o contraditório Comediante em 1950 tentando estuprar uma colega, temos o Dr. Manhattan olhando a vida humana como uma equação física e seu afastamento emocional, o violento e traumatizado Rorschach.
Watchmen é uma obra conhecida por tornar a leitura de HQ's uma experiência mais adulta, ao rechear de temas pesados os seus roteiros, como política, física avançada, filosofia. A partir de Watchmen, as HQ's deixaram de ser uma "literatura infantil" para serem visadas para um público mais adulto. A arte de Dave Gibbons torna a releitura mais prazerosa, após a 1ª releitura, o nível de detalhes é imenso, talvez por que Alan Moore procura ser extremamente detalhista com seus roteiros, descrevendo exatamente o que imagina para cada quadro, cada enquadramento deve ser perfeito. Outro detalhe interessante é o uso de simetrias (espelhamento), cada capítulo, artisticamente falando, é uma espelho do seu reverso (exemplo, o 1º volume e o 12º), os quadros estão na exata ordem, como se as páginas fossem postas num espelho.
Recomendação máxima que eu dou pra quem quer ler HQ's (e mesmo pra quem não quer...), a graça do negócio é ler e reler a obra e tentar entender cada linha da ótima história do inglês.