Bem, pra começo de tudo, não considero esse filme um documentário, como muitos podem afirmar, e nem uma jogada comercial. Pra mim, esse filme é uma homenagem. Não a Jacko, mas aos fãs, a aqueles que acompanhavam sua carreira de perto, ou os que simplesmente gostavam de música. Logo na primeira cena, temos depoimentos dos dancarinos, falando que a música de Jackson inspirou eles, o que mudou na vida deles, a primeira música, o que os fez dançar, o que os fez amar música, com essa primeira cena, fica a pergunta na cabeça: qual será que foi a reação deles quando o mestre morreu? O que acontece agora? A resposta é simples: o diretor quer dizer com essa cena, o filme é de vocês, esse espetáculo que ninguém vai ver é de vocês, fãs, que vão manter a música viva, a memória do maior astro do pop que já viveu.
This is it é um filme pra quem ama música, vemos o backstage de um grande show pop, a produção, as luzes, o som, e, finalmente, o astro. Temos a oportunidade de ver Michael Jackson trabalhando, fazendo o que mais gostava, cantando, dançando, e, em nenhuma vez, mandão. Ele comandava o show com paixão, dava broncas nos músicos com carinho (With love, L-O-V-E), o filme mostra que aquele cara ali de 50 anos, magro demais, às vezes abatido, aquele cara vivia pra música que compunha. Um comentário que me lembro de fazer quando assisti ao filme com a namorada foi "Essa é a Wonderland dele".
Mesmo sendo um apanhadão de filmagens dos ensaios, temos uma exata noção de como seriam os shows da turnê, qualquer um ficaria atiçado a comprar ingressos depois de ver esse filme. Qualquer um que visse o filme sem saber que foi feito "post morten", não ia acreditar que o astro morreu de uma maneira tão fraca, tão mundana. Posso confessar que desliguei o dvd com um sorriso no rosto, This is it é uma homenagem bem prestada aos órfãos da música de Miachael Jackson, aos lendários passos de música, é uma homenagem aos anos de ouro do cantor. Eu digo, eu me tornei um pouco mais fã depois do filme.
Quote: "[Quando explicando ao diretor musical / tecladista a maneira correta de tocar "The Way You Make Me Feel"] I want it the way I wrote it, I mean like the audience hears it."
"It's an adventure. It's a great adventure. We want to take them places that they've never been before. We want to show them talent like they've never seen before."
Recomendo: A quem gosta de música. Não recomendo: Pra quem vê uma foto de MJ e já pensa "Pedófilo"
Bem, Lost tá acabando, é fato, e a televisão nunca mais vai ser a mesma. E logo, vai deixar o Trono das séries vazias, eu pretendo falar dos principais concorrentes aqui numa série de posts, começando por Fringe.
De início, acho válido dizer: Fringe é ficção científica pura, e dos gêneros mais "surreais", então, se você não atura ficção científica, leia meu próximo post. Bem, passando essa divisão, Fringe foi criada pela grande mente atrás de Lost JJ Abrams, um fã de Star Trek e Arquivo X que trouxe de volta o feeling desses clássicos a uma nova geração, os moleques que nem sabem quem é Spock (não, se você só sabe a saudação, você não conhece o Spock) ou o agente Mulder, agora podem vivenciar a grande experiência de ter esses mitos revividos nos dias de hoje, seja através do novo filme ou essa ótima série.
Fringe conta a história de três personagens principais, Olivia Dunham (Anna Torv), agente do FBI designada por Phillip Broyles ( Lance Reddicko Matthew Abbadon do Lost) para investigar casos aparentemente sem explicação; Peter Bishop (Joshua Jackson, Pacey, de Dawson's Creek) um rapaz com QI de 195 - 50 acima do nível "Gênio", que serviu no Iraque, participou de negócios exclusos e tem uma relação conturbada com seu pai, Walter Bishop(John Noble, o Denethor de O Senhor dos Anéis), o terceiro personagem, que trabalhou nos anos 70 em experiências secretas do governo e agora era requisitado para essas investigações. A trama inicia com um desastre aéreo, onde os passageiros literalmente derreteram, assim, o Departamento de Segurança Nacional, através de Broyles, chama o Dr. Bishop para o caso, que só concorda em trabalhar com seu filho. Durante a investigação, o parceiro de Olivia sofre um bizarro acidente onde começa a derreter, igual aos passageiros. Está formada a tríade que conduzirá a série. Após resolverem o caso do avião, a agente descobre que ele foi uma pequena parte numa série de eventos, chamados de "O Padrão", então, formam o setor de "Fronteiras" (Fringe sector, no original) para investigar somente os casos relacionados a esse padrão.
A série explora a tênue linha entre a ficção e a realidade, todos os eventos explorados são relacionados a um uso absurdo e nada ético da ciência, nos mostrando a importância na consciência do uso de invenções cada vez mais "mágicas" que vamos vendo hoje em dia. Vemos que, quando usados para meios exclusos, o resultado é horrendo, coisas como manipulação genética (por exemplo um caso onde um cientista colocou genes de escorpião em seu próprio filho, para que esse sobrevivesse por conta própria), projeção astral (como "roubar" memórias), ler pensamentos (como no caso do menino que nunca aprendeu a falar, que lia emoções), tudo isso é abordado na série, com uma explicação sempre clara, normalmente dada pelo comicamente insano Dr. Walter e "traduzida" por seu filho.
Atualmente no meio da segunda temporada, a série vem conquistando cada vez mais admiradores, seja pela semelhança com o Arquivo X, que traz os saudosistas, ou os fãs de ficção científica no geral. Bem, enquanto Lost vai chegando ao fim, vejo o buraco que vai ficar na programação, espaço esse que pode ser facilmente ocupado por Fringe, junto com várias séries de peso, como Breaking Bad, Supernatural, Dexter, True Blood, todas ainda a serem abordadas aqui no Arena.
Resumo: O Arquivo X dos anos 2000 Recomendo: Aos fãs de ficção científica no geral, a série é praticamente uma homenagem. Não Recomendo: Pra quem não gosta de Ficção, ué
Queria dizer que se não fosse pela minha namorada eu não tinha assistido esse filme, e por isso, esse post é dedicado a ela e queria dizer: Daniele, TE AMO.
500 Dias com Ela (500 Days of Summer - 2009) Joseph Gordon-Levitt (Tom) Zoey Deschanel (Summer) Chloe Moretz (Rachel)
Vou começar o post com a narração de abertura, que diz quase tudo sobre o filme: This is a story of boy meets girl. The boy, Tom Hansen of Margate, New Jersey, grew up believing that he'd never truly be happy until the day he met the one. This belief stemmed from early exposure to sad British pop music and a total mis-reading of the movie 'The Graduate'. The girl, Summer Finn of Shinnecock, Michigan, did not share this belief. Since the disintegration of her parent's marriage she'd only love two things. The first was her long dark hair. The second was how easily she could cut it off and not feel a thing. Tom meets Summer on January 8th. He knows almost immediately she is who he has been searching for. This is a story of boy meets girl, but you should know upfront, this is not a love story.
Bem, os menos informados podem pensar que esse filme é mais uma história menino encontra menina comum. Essa é uma história de menino-encontra-menina, mas é muito diferente de qualquer outra que eu já vi, e, acreditem, é bem melhor que muita no cinema por aí. O novato Mark Webb nos entrega uma história de paixão bastante incomum aos olhos das platéias modernas, vemos logo no começo do filme o término do relacionamento do casal principal do filme. Após isso, conhecemos Tom e Summer. Tom é fã do Smiths, e assistiu o filme "The Graduate" cedo demais, sempre acreditou no amor verdadeiro, e sabe que um dia ele o estaria esperando ali na esquina. Summer é uma menina que nunca acreditou no amor, que sempre soube como era fácil abrir mão das coisas que se ama. Tom se apaixona por Summer logo no começo, e tá aí uma das partes mais geniais desse filme, todo cara já conheceu uma garota como a Summer, é aquela menina que a gente quer, mas não pode ter, vemos a insegurança do personagem, a hesitação em chamá-la pra sair, todas as coisinhas que acontecem quando se apaixona por alguém assim estão ali presentes no filme. Já Summer não se apaixona por Tom. Em toda a relação, vemos Tom ir de alguém extremamente feliz a uma pessoa muito triste.
E outro aspecto que eu queria chamar atenção é a realidade com que se coloca o romance em tela, tudo que passa na cabeça de Tom acontece de verdade, tomo como exemplo uma cena onde, após terminarem, numa festa, em um lado da tela temos a realidade, e no outro lado, as expectativas do protagonista, o que ele esperava que acontecece na festa, vemos como é cruel essa cena quando a fantasia é estraçalhada por uma revelação, nos identificamos bastante com o personagem. A trama é única e realista, nem sempre quem a gente pensa que é o amor de nossa vida nos tem como o mesmo.
Quote: "Tom:What happened? Why - why didn't they work out? Summer: What always happens. Life. " Recomendado para: Quem já sofreu algo parecido Não recomendado para: Quem não acredita no amor ainda.
Finalmente terminamos de ler Y, então resolvemos, com um peso no coração, terminar esse post que demorou semanas de discuções, enjoy.
06 - Lanterna Verde: O Renascimento - (2004/2005) Geof Jhons e Ethan Van Sciver
Este encadernado reúne a história que conta o renascimento do Hal Jordan ( o maior dos Lanternas Verdes ), que morreu na série "os melhores do mundo" após ser possuído pelo medo encarnado, chamado "Parallax", e se sacrificar para salvar o sol do devorador de sóis. Todo esse arco culmina no renascimento de Jordan e no combate definitivo contra Parallax.
Comentário - Fernando Renascimento é mitologia pura. Toda a história dos Lanternas Verdes tem uma importância enorme aqui, temos uma história muito bem montada pelo gênio atual Geof Johns, que soube explorar com maestria a complexa história da polícia do espaço. Detalhes para a arte fodelosa de Ethan Van Sciver, com enquadramentos perfeitos, e um uso de cores que nunca vi igual.
Comentário - Henrique Bom, vou ser sincero, foi uma das minhas primeiras HQ’s que eu comprei, e mesmo assim, gostei de um jeito que eu não sabia explicar, depois de me adentrar(ui) no mundo dos HQ’s, re-li essa história e realmente, é muito apaixonante, quando começa a leitura do universo DC é impossível não gostar dos Lanternas Verdes, e essa história mostra a volta do mais fodão que tem, impossível esquecer o confronto eterno do homem que vive implantando medo (Batman) e aqueles que tem que superar o medo, e que fazem isso muito bem!... Tá guardado e amarrado 3 vezes!
PS: Um nerd que se preze sabe o setor espacial da terra... (2814)
07 - Y - O Último Homem - (2002/2008) Brian K. Vaughan e Pia Guerra
Uma “epidemia” mata todos os homens da Terra, todos ao mesmo tempo. Só poupa um jovem escapista (um tipo de mágico) e seu macaco de estimação. A série mostra a jornada do herói para encontrar sua namorada na Austrália. Vemos a sociedade destruída, as mulheres não sabem o que fazer.
Comentário - Fernando Y é uma das melhores séries da década. O roteiro de Brian K. Vaughan e a arte muito bem finalizada de Pia Guerra trouxeram a glória de volta para a Vertigo, que des de Sandman não ficava tão bem na crítica ou público. A história do último homem na Terra não é tão doce quanto a maioria dos homens imagina. Durante a história, o autor constrói os personagens com uma profundidade incrível, temos
Comentário - Henrique Bom, estou postando aqui por ser uma série boa, mas não recomendo (por ser uma das coisas que mais me emocionou), não é uma típica série americana em que tudo acaba bem e é possível perceber isso nos primeiros 3 volumes. É uma série muito bem escrita, isso eu não tenho dúvida, e a arte complementa o trabalho do roteirista. Bom, posso ficar falando o quão genial é talvez até faça um post só sobre Y – o último homem, mas bom... vejo isso depois.
08 - Super-man - Entre a Foice e o Martelo - (2003) Mark Millar e Dave Johnson.
É uma série parecida como “what IF” da Marvel, a Elsewords conta o que aconteceria se tal coisa acontecesse, no caso desse HQ a história é o último filho de Krypton cai na terra, porém ele cai na Rússia, pouco antes de estourar a guerra fria. E todos conhecem o Super-man como ícone americano, imaginem o que aconteceria se ele fosse o escudo soviético...
Comentário - Fernando A premissa é genial, a execução dada por MARK MILLAR é perfeita. A ambientação do primeiro capítulo é perfeita, a Rússia Stalinista em seu auge recebe a maior arma possível, o Superhomem. A série também mostra o Batman como um anarquista, inimigo mortal do homem de aço, e a mulher maravilha como uma simples diplomata. Altamente recomendado, especialmente pelo final diabólico.
Comentário - Henrique Não sei mesmo por onde começar a falar, na minha opinião é uma das HQ’s mais geniais já escrita, não só pelo roteiro, mas parece que foi o próprio MARK MILLAR que criou o homem de aço, ele conseguiu se colocar no lugar dele e entender suas fraquezas. Além de conseguir entrar no personagem ele consegue expor tudo o que ele pensa, como por exemplo o fato do superman não ligar para políticas, e só em ajudar seu povo. Momentos que mais me marcaram, o Batman anarquista, o final genial, e a parte da carta.
09 - Crise de Identidade - (2004) Brad Meltzer e Rags Morales
Um membro honroso da liga da justiça é assassinado, o que mostra o luto entre heróis de uma forma nunca antes vista. Mostra não só o luto, mas a personalidade por trás de todos os personagens dos simples até os mais complexos. O foco principal da série é mostrar o lado mais comum, mais humano dos heróis da DC. Mostra o que eles são capazes de fazer pelo que pensam e pelo que acreditam no que é certo. Tem um final surpreendente à lá Agatha Cristie.
Comentário - Fernando Eu não sei como não pensaram nisso antes. Adorei ver o lado podre dos heróis, gostei da intriguinha dentro do grupo, vemos o Arqueiro Verde brigando com o Gavião, vemos que o Batman não tolera o Lanterna Verde, e por aí vai, vemos o ódio entre os heróis, e alguns deles usando seus poderes em seus próprios colegas. É terrível, eu gosto.
Comentário - Henrique Em minha opinião a melhor crise da DC, melhor que crise infinita, melhor q crise final e entre outras. Ver todos descontrolados por vingança, e loucos para descobrir quem causou tanta dor em um membro é uma vez em um milhão que você vai ver uma história assim.
10 – Asilo Arkham - (1989) Garnt Morrison e Dave McKean
O famoso Asilo Arkham ( apesar do nome é um manicômio) é tomado pelos seus presos, no caso, o “líder” é o Coringa, que pede o resgate de uma jovem em troca do Batman, e o coringa faz um trato com o morcegão. Se o Batman sobreviver dentro do asilo até a meia noite, ele e os outros loucos voltariam para suas celas. Na história Batman encontra Coringa, Duas caras, Crocodilo, Zeus entre outros...
Comentário - Fernando O que mais me chamou a atenção no Asilo foi, além da ambientação perfeita, foi a atenção dada para cada personagem. O foco é o morcegão entender que ele também é o louco da história, achei genial quando Morrison coloca em prova a sanidade dos loucos ao terem que confrontar seu pior medo dentro de sua casa. Destaque para a história de Amadeus Arkham e a evolução da psique do Duas-Caras.
Comentário - Henrique Uma obra genial, o que sempre complementou minha teoria, que ninguém no Batman é totalmente são, só se salva o comissário Gordon. O Batman é tão louco quanto qualquer pessoa que ele enfrenta, e como o coringa diz, ele deveria estar lá dentro junto com os outros. A arte... tive uma discussão com a Niége esses dias, ela acha a arte horrível e muito rabiscada, mas para esse HQ foi uma jogada de mestre, dar um tom de loucura num HQ louco...
Enfim, vemos um pouco da loucura de cada um dos seus vilões, e até a cura de alguns... Dica, é de alguém que você conhece bastante...
Menção Honrosa - Batman - A Piada Mortal (1988) Alan Moore e Brian Bolland
O Coringa sequestrou o Comissário Gordon, e o Batman deve salvá-lo. Numa das histórias mais conhecidas e citadas do Morcego, o roteiro sempre impecável de Alan Moore nos mostra onde mora a loucura que transforma as pessoas em vilões.
Comentário - Fernando Pela história, não parece uma história muito atrativa. Mas, devo lembrar que é do Alan Moore que a gente tá falando, gente. O sequestro do Comissário serve para o Coringa provar um ponto para o morcegão, avrir uma discussão: O que é preciso para alguém ficar maluco? O que separa uma pessoa normal de um Batman da vida? Alan Moore responde usando a história do Coringa (a origem mais aceita do palhaço do crime é dada nessa HQ), ao mesmo tempo que o mesmo tenta deixar o Comissário insano como ele. O que separa a loucura da sanidade é um dia ruim.
Comentário - Henrique A origem do Coringa nunca foi divulgada abertamente pela DC, mas até agora eles dizem que a mais aceita é dessa origem, e vale à pena ver as poucas páginas da história do maior vilão do Batman, sem contar que conta também a história da Oráculo, do comissário, mas a história não é focada no morcegão... MAAAAS, ainda assim, muiiito bom.
Esperem por mais reviews e opiniões de HQ's, planejamos um post parecido! Espero que gostem!!
Oi, mais uma vez, enquanto o post sobre HQ's ainda fermenta, posto mais um top5, dessa vez com filmes policiais:
1- A cena do restaurante em Heat, o primeiro encontro (em cena) de dois gigantes do cinema. Além do diálogo ser afiadíssimo, digno de quotes, a atuação impecável dos mestres (dizem que a cena não foi ensaiada at all), o filme é ótimo, a ambientação (quase toda in loco) é perfeita, a trama é intrincada, enfim, esse filme é foda, caralho.
2- O final de Se7en. Já falei do filme aqui no blog. A cena que vou postar é o FINAL do filme, então, 100% spoiler. Seja por toda a tensão criada no filme, a crueldade da cena surpreende, tudo nesse filme é tão bem construído que a cena final por si só vale a pena ver o filme inteiro.
3- Em "Estrada para a Perdição", que também já falei aqui no blog, a cena onde o Anjo da Morte dá cabo de sua vingança. Aqui, uma das melhores cenas de filme de gângster que já assisti, debaixo de uma chuva torrencial em Chicago, Mike Sullivan atira nos capangas do homem que o tratou como filho, detalhe aqui para a expressão do tio Hanks antes de atirar no velho, chega a doer o coração.
4- A história sobre o assalto de banco que virou um sequestro de proporções míticas por causa da mídia americana, "Um Dia de Cão", nesta cena específica, o sequestrador Sonny libera um dos reféns e incita a multidão, gritando "Attica! Attica!", numa alusão a uma rebelião no presídio americano de Attica, onde a polícia executou 39 pessoas, 10 delas reféns. A cena é poderosa, os brados do criminoso recoaram 4 anos depois do massacre (que ocorreu em 71, o filme é de 75).
5- Dirty Harry, em seu filme de estréia, curtindo seu cachorro quente, até que o grupo de assaltantes malvados tentam fugir. Na sua primeira cena de ação, o policial fodão de Clint Eastwood para os assaltantes sozinhos com o seu poderoso magnum, depois solta uma das melhores frases que eu já ouvi "Do you feel lucky, you punk?" Simplesmente demais.
+1 Mais uma cena de restaurante. A mais clássica de todas, a conversa de Michael Corleone e Vigil Sollozo no restaurante italiano, onde o herói de guerra queridinho da família se torna o gângster frio e maldito dos outros 2 filmes.
Após muita discussão, nós, Fernando e Henrique, chegamos a um consenso: indicar 10 HQ's que todos deveriam ler. Temos aqui em lista muita coisa que passa desapercebida na maioria das listas, mas, gosto é gosto, e essas são a que nós indicamos, comentadas por nós dois (lembrando que não estão em ordem, mas sim pelas que nós lembramos primeiro...):
01- Guerra Civil (2006/2007) Mark Millar e Steve McNiven:
Depois de uma perseguição desnecessária e perigosa para um reality show de heróis, Nitro,um dos vilões em perseguição explode uma cidade inteira, fazendo com que a população culpe os heróis. Até que surge uma lei para que todos os sobre-humanos se registrem para o governo ter um pouco de controle sobre suas ações, claro que essa decisão toma 2 lados, alguns são a favor, outros contra. O Homem de Ferro toma parte de ser a favor e o queridinho da América (da Marvel) contra.
Comentário - Fernando:
O roteiro sempre impecável de Mark Millar é o atrativo principal da guerra civil. Temos aqui momentos épicos, como a revelação do homem-aranha (levando diretamente ao arco “Uniforme Negro”).
Comentário – Henrique:
Muitas brigas, muita porrada, muita lição de moral, altamente recomendável. Meu irmão me apresentou Mark Millar como MARK MILLAR, antes era só o um roteirista, mas depois de ler Guerra Civil, Caído entre os Mortos, Supremos, Supremos 2, Red Son, Kick Ass, e o Velho Logan, com certeza você irá se apaixonar por ele, é um roteiro muito elaborado, muitas vezes elaborado demais, mas ainda assim, mas ainda assim, eu não me canso dele.
02- Watchmen (1986/1987 ) Alan Moore e Dave Gibbons:
O assassinato de um herói mascarado é investigado pelo vigilante Rorschach, numa sociedade que não tolera o “vigilantismo” e Nixon foi eleito trocentas vezes. A investigação leva Rorschach a crer que alguém está perseguindo os heróis aposentados.
Watchmen é talvez a mais aclamada série de quadrinhos até hoje, talvez seja pelas suas inovações, seja na arte, muito diferente das normais nos anos 80, ou pelo roteiro, com um palavreado e conversações pesados. Mas acho que sobre tudo é a abordagem com o leitor, por mais que não pareça, é mais uma HQ policial. Os vigilantes na verdade não tem nenhum poder, a não ser Jhon, que vira um Deus (mas não combate o crime). Os heróis deixam de ser heróis num simples estalar de dedos, e vivem suas vidas normalmente. Até, bem, começarem a matar os ex-mascarados.
03 – Cavaleiro das Trevas (1987) Frank Miller (Roteiro e Desenhos)
Frank Miller nos mostra aqui um Batman aposentado, Bruce Wayne isolado em sua mansão (e Alfred parece ser imortal), o Coringa está catatônico no asilo arkham, tudo parece bem. De repente, temos a volta do Duas-Caras, e logo, do vigilante mascarado favorito de Gotham City, e do seu vilão. Frank Miller explora o cansaço do herói, as duas forças destinadas a lutarem.
Comentário – Fernando:
Talvez a melhor história de Frank Miller, o herói está velho, a cidade se acostumou à ausência do Morcegão (até se esqueceu dele), todos parecem ter superado o trauma. A volta dele só demonstra como esse tipo de coisa é ao mesmo tempo necessária e nociva. E outra coisa interessante, Miller retrata o Super-Homem como um reacionário, uma arma poítica dos EUA. Genial.
Comentário – Henrique:
Talvez melhor até que qualquer Sin City, Frank Miller se supera em um roteiro genial, mostrando sempre, os dois lados da moeda, ou os 2 lados da face... Mostra o como o Batman sempre vai ter o que ele quer, dos seus meios, e como o coringa sempre vai ser a pedra no sapato do Batman, e como o Super-Man sempre vai ser o “Policial nº 1 da América” ( ou, pau mandado).
04 – All Star Superman (2005/2008) Grant Morrison e Frank Quiterly.
A série All-Star tem uma premissa simples: pegar um autor fodão e dizer “Vai, faz o que tu quiser”, abrindo espaço para uma história completamente nova e fora da cronologia oficial do personagem. É o que Grant Morrison fez, elevou a mitologia do Super-Homem a um nível novo, criou uma história divertida e bem amarrada. Ao tentar salvar a primeira missão tripulada ao Sol, o Homem de Aço é atingido por raios solares nocivos, criando um tipo de super-cancer.
Comentário – Fernando:
Adoro a mitologia que Morrison colocou aqui, ele conseguiu fazer do mito do último filho de Krypton uma história sempre divertida, que prende o leitor. Um detalhe interessante é que ele criou alguns conceitos e expandiu os existentes, como a fortaleza da solidão, ou até mesmo o planeta-bizarro. Destaque para a história da Lois Lane com super-poderes, é romântico e vital à série.
Comentário – Henrique:
All Star, a ascensão de Grant Morrison? Ou a Obra prima dele? Não sei, quando eu ler tudo dele eu dou minha opinião, enfim, é uma história muito boa, impossível querer ler só um volume em um dia, mostra uma das kriptonitas novas, a preta, se eu não me engano... São 12 grandes feitos pelo nosso queridinho da América ( agora, da DC). Para fechar com chave de ouro, uma batalha épica no mínimo.
05 – V de Vingança (1982/1989 ) Alan Moore e David Lloyd
Depois de uma tomada de poder e uma implantação de um regime totalmente ditatorial, que chega até a vigiar as pessoas. Depois de um tempo, é claro que começam a querer derrubar o poder, é aí que surge o “V”, porta voz da anarquia. Então é destruindo marcos ingleses que V mostra o quão frágil o governo é e assim, consegue “chamar” mais pessoas para sua luta.
Comentário – Fernando:
Esqueça o filme, o HQ mostra de uma maneira muito mais densa o que o filme tentou passar. A força do Estado está nas pessoas ou nos governantes, na polícia? Habilmente, Alan Moore dá a resposta através da história do terrorista V, da ingênua Evey Hammond, e de um número enorme de histórias paralelas.
Comentário – Henrique:
É uma HQ genial, mostra o quanto o estado influi na sua vida, mesmo que você não ligue ou não goste, mostra a alienação do povo não só com o governo, e o que cada um é capaz para defender seus ideais. Vale a pena morrer pelo que você pensa? FIKDÚVIDA...
Esse é o fim da 1ª parte. Algum dia a gente posta o resto.
Depois de ler o último post, fiquei empolgado. Vou falar hoje da maior das graphic novels já escritas, a obra-prima suprema de Alan Moore, que virou filme pouco tempo atrás, Watchmen.
A idéia de Watchmen surgiu de uma pergunta bem simples, feita, talvez, pelo autor quando lia as revistas do Superman e suas paródias nas revistas MAD, como seria o mundo se existissem super-heróis de verdade? Como a raça humana se comportaria perante aos heróis? Quais seriam as consequências disso? Moore destruiu a idéia clássica dos quadrinhos, onde deuses poderiam andar por entre os humanos e em nada afetar a vida humana radicalmente, e essa é a premissa da obra, a simples existência de uma criatura tão poderosa afetaria radicalmente a vida humana, seja no viés político, filosófico, toda a vida humana seria muito diferente se existisse um super-homem entre nós.
A história começa nos anos 80, um mundo onde uma lei proíbe o vigilantismo, Nixon foi reeleito mais vezes do que o país aguentaria, a guerra fria tornou as pessoas paranóicas (grandes manchetes: GUERRA?). E dentro desse novo mundo apresentado, está o vigilante mascarado Rorschach, que investiga a morte de um homem que foi jogado do topo de seu prédio. A investigação leva a descobrir que o homem era o famoso Comediante, um vigilante atuante há mais de 50 anos, nascido na 1ª geração de heróis. Isso leva o anti-herói a tentar avisar os antigos heróis, temos um rechonchudo Coruja Noturna II e o aposentado Coruja Noturna I, o atual megaempresário Ozymandias, e o Semi-deus Dr. Manhattan, que atualmente mora com Espectral. Em cada encontro, vemos como o roteiro é perfeito, Moore, ao contar a origem de cada herói, dá uma profundidade incrível a cada personagem, contando as ações de cada herói perante às responsabilidades para com a humanidade. Destaca-se uma cena onde os dois principais vigilantes (que trabalhavam para o governo, sim, o governo contratou os heróis) estão na guerra do vietnã, a presença do onipotente Dr. Manhatan e do militarismo do comediante fez os EUA ganharem a guerra.
Ao contar a história dos vigilantes em flashbacks, Moore dá a impressão exata de como cada ação passada, seja do 1º grupo de super-heróis, ou do 2º grupo, influencia tanto no presente e na situação atual de tensão nuclear constante. Temos aqui uma guerra fria intensificada, a fobia americana é imensa. O inglês explora cada aspecto da vida dos vigilantes, temos o contraditório Comediante em 1950 tentando estuprar uma colega, temos o Dr. Manhattan olhando a vida humana como uma equação física e seu afastamento emocional, o violento e traumatizado Rorschach.
Watchmen é uma obra conhecida por tornar a leitura de HQ's uma experiência mais adulta, ao rechear de temas pesados os seus roteiros, como política, física avançada, filosofia. A partir de Watchmen, as HQ's deixaram de ser uma "literatura infantil" para serem visadas para um público mais adulto. A arte de Dave Gibbons torna a releitura mais prazerosa, após a 1ª releitura, o nível de detalhes é imenso, talvez por que Alan Moore procura ser extremamente detalhista com seus roteiros, descrevendo exatamente o que imagina para cada quadro, cada enquadramento deve ser perfeito. Outro detalhe interessante é o uso de simetrias (espelhamento), cada capítulo, artisticamente falando, é uma espelho do seu reverso (exemplo, o 1º volume e o 12º), os quadros estão na exata ordem, como se as páginas fossem postas num espelho.
Recomendação máxima que eu dou pra quem quer ler HQ's (e mesmo pra quem não quer...), a graça do negócio é ler e reler a obra e tentar entender cada linha da ótima história do inglês.